Confira a entrevista do reitor do UniBH, Rivadávia Drummond a revista Viver Brasil deste mês. A entrevista também pode ser lida aqui.
Alvo de críticas, a expansão do ensino universitário nos últimos anos no Brasil, é vista com bons olhos por Rivadávia Drummond, 43 anos, um dos mais jovens reitores do país. “Sou otimista. A expansão é uma resposta à visão elitista sobre quem deveria ter acesso ao ensino superior. Como em todo setor da economia, é preciso saber fazer escolhas: existem boas escolas e as outras”, afirma Rivadávia. Em outubro do ano passado, ele assumiu a reitoria do UniBH, uma das maiores universidades privadas de Minas, que oferece 48 cursos de graduação e 53 de pós. Antes, atuou como professor e pesquisador da Fundação Dom Cabral. Belo-horizontino, ele concluiu pós-doutorado na Universidade de Toronto, no Canadá, onde atualmente é pesquisador convidado do Knowledge Management Research Centre.
Há muitas críticas em relação ao crescimento do número de faculdades. Para muitas pessoas, a quantidade é valorizada em detrimento da qualidade. Concorda com isso?
Até muito pouco tempo atrás, a oferta de cursos superiores era limitada no Brasil. Resumia-se às federais, PUCs e mais alguns poucos players. Tratava-se de um cenário de demanda reprimida e de pouco, e difícil, acesso ao ensino superior, fator preponderante à mobilidade social e profissional dos brasileiros. Com as mudanças a partir do governo Fernando Henrique Cardoso, inicia-se a expansão do ensino superior e experimentam-se seus obstáculos, como as políticas regulatórias e de acompanhamento, profissionalização da gestão e ampliação da oferta. Vejo a expansão com bons olhos. Ela é uma resposta à visão elitista sobre quem deveria ter acesso ao ensino superior no Brasil. Como em todo setor da economia, é preciso saber fazer as escolhas: existem boas escolas e as outras.
O acesso às universidades públicas é impossível para muitos. Por outro lado, as mensalidades das universidades privadas têm valores exorbitantes. Qual o caminho para tornar o ensino privado mais acessível?
O financiamento estudantil é a grande questão que se impõe à expansão do ensino superior privado e, consequentemente, ao acesso de mais estudantes. Avançamos no país com propostas como o ProUni e o Fies. Aliás, o ProUni é para mim grata surpresa – alunos dedicados, interessados e que se agarraram à oportunidade conquistada. Contudo, precisamos avançar mais. Nossa taxa de escolaridade bruta é relativamente baixa quando comparada aos países desenvolvidos e estes financiam mais da metade de seus ingressantes no ensino superior.
Qual a opinião do senhor sobre as políticas educacionais hoje no país?
Houve avanços significativos nas duas últimas décadas, como ampliação da oferta, regulação e acompanhamento e alternativas ao financiamento estudantil. Contudo, precisamos avançar mais. Nossos fundamentos nos quesitos inovação, criação de conhecimento, empreendedorismo e aproximação universidade-empresa podem ser melhorados.
Enfrenta resistências por ser um reitor jovem?
Ouço alguns (poucos) comentários sobre a idade. Contudo, ao longo do contato, essa impressão se desfaz e discutimos aspectos importantes na educação brasileira. Fui muito bem recebido pela comunidade do UniBH e implementamos uma gestão aberta, autônoma, responsável, com decisões colegiadas e foco em resultados. É assim que estamos construindo o UniBH que queremos, uma escola relevante para alunos, professores, funcionários e comunidade.