11 mulheres que mudaram a educação no mundo 11 mulheres que mudaram a educação no mundo

11 mulheres que mudaram a educação no mundo

 

Ao longo dos anos, muitas mulheres marcaram seus nomes revolucionando diversas áreas. Suas histórias são relembradas na semana do Dia Internacional das Mulheres, que acontece no próximo dia 8, mas a importância das suas ideias deve ser celebrada durante todo o ano.

Na educação, a presença de pessoas do sexo feminino é enorme. Para se ter uma ideia, de acordo com o Censo Escolar 2018, realizado pelo Inep, do Ministério da Educação (MEC), 80% dos 2,2 milhões de docentes da educação básica brasileira são do sexo feminino.

Já na educação superior, esse número também é alto, quase se igualando à quantidade de homens professores. Segundo o Censo da Educação Superior 2016, tanto na rede privada quanto na rede pública, entre os 397 mil docentes, as mulheres representam cerca de 45%.

Para celebrá-las, separamos 11 nomes de mulheres que ficaram marcadas no meio educacional com suas ideias e estudos. Confira:

  1. Marie Curie

A cientista polonesa Marie Curie (1867-1934) se formou em Matemática e Física, na Universidade de Sorbonne, na França. Junto a seu marido, Pierre Curie, ela foi responsável pela descoberta dos elementos químicos Polônio (nomeado em homenagem ao seu país) e Rádio. Foi então que se iniciaram as pesquisas sobre Radioatividade.

Em 1903 ela recebeu o Prêmio Nobel de Física e, 8 anos depois, o de Química. Além de ter sido a primeira mulher a ganhar o Nobel, foi a primeira pessoa a recebê-lo duas vezes.

Marie Curie também foi professora desde os 18 anos. Ela chegou a dar aula em uma instituição considerada ilegal por desafiar as políticas de repressão impostas pelo Império Russo, cujo maior público eram mulheres impedidas de estudar.

  1. Anne Sullivan



A educadora americana, que viveu entre 1866 e 1936, perdeu a visão quando criança. Aos 20 anos, depois de se formar na escola, foi contratada como professora particular e em tempo integral de Helen Keller, que, com a ajuda de Sullivan, se tornou a primeira pessoa cega e surda a se tornar bacharel na história, tendo se formado em Filosofia.

Foi por meio do tato que ela ensinou a menina a reconhecer objetos e associá-los a palavras. Assim, Keller se tornou fluente em inglês, francês e alemão, e ficou proficiente em braile e em linguagem de sinais na palma da mão. A história virou peça de teatro e, posteriormente, o filme “O Milagre de Anne Sullivan”.

  1. Hannah Arendt

 

Hannah Arendt (1906-1975) era alemã e judia e, por causa do regime nazista, deixou o país, tendo se mudado para a França e, posteriormente, para os Estados Unidos, onde permaneceu apátrida até se naturalizar americana, em 1951.

Conhecida como filósofa, ela publicou a obra “As Origens do Totalitarismo”, em que analisa as formas totalitárias de poder e a banalização do terror.  A escritora também analisou a educação na época nos textos “A Crise na Educação” e “Reflexões sobre Little Rock”.

  1. Maria Montessori

Maria foi a primeira mulher a se formar em Medicina na Itália, mas não pode seguir carreira por não pode analisar homens. Assim, ela iniciou os estudos sobre o aprendizado de crianças. O seu método educacional, que leva o seu nome (Montessori), é aplicado até hoje em escolas públicas e privadas de todo o mundo.

Em 1907 ela criou a primeira “Casa dei Bambini”, onde aplicava a ideia de “educação para a vida” e a formação integral dos indivíduos.

A educadora acreditava que as crianças eram capazes de conduzir o seu próprio aprendizado. Assim, seu intelecto se manifestava automaticamente em seu próprio ritmo. Além disso, para ela, os professores eram apenas responsáveis por acompanhar esse processo – dessa forma a pedagoga se inseriu no movimento da Escola Nova.

  1. Emília Ferreiro

A psicóloga e pedagoga argentina, radicada no México, analisou e desvendou os mecanismos pelos quais as crianças aprendem a ler e escrever. Isso revolucionou a maneira de se pensar a alfabetização e influenciou a educação brasileira a partir dos anos 90.

Emília fez doutorado na Universidade de Genebra, sob orientação do biólogo Jean Piaget, e focou seus estudos em investigações sobre a escrita e no construtivismo. Em 1979, em parceria com a pedagoga espanhola Ana Teberosky, lançou o livro “Psicogênese da Língua Escrita”. Sua obra influenciou tanto os educadores brasileiros que até mesmo os Parâmetros Curriculares Nacionais são inspirados em seus estudos.

Ela foi responsável por inverter a lógica tradicional de educadores que, até então, só se preocupavam com a aprendizagem quando o aluno parecia não aprender.

 

  1. Mariazinha Fusari

A arte-educadora Maria Felisminda de Rezende e Fusari foi co-fundadora do Núcleo de Comunicação e Educação (NCE), da Universidade de São Paulo (USP) e, por meio de suas pesquisas sobre a relação entre mídia e infância, colaborou para a ampliação do diálogo entre a comunicação e da educação. Até hoje Fusari é conhecida como um dos principais nomes da Educomunicação no Brasil.

  1. Dorina Nowill



Dorina Nowill (1919-2009) perdeu a visão aos 17 anos, mas foi a primeira aluna cega a frequentar um curso regular na Escola Normal Caetano de Campos, no centro de São Paulo. Lá, inclusive, ela se formou como professora, tendo se especializado em educação de cegos na Universidade de Columbia, em Nova York.

Em 1946, Dorina criou a “Fundação para o Livro do Cego no Brasil” e, em 1948, fundou a primeira imprensa em braile, responsável por imprimir livros didáticos e outros documentos na linguagem.

Dorina também dirigiu a “Campanha Nacional de Educação de Cegos”, do MEC, que criou os primeiros serviços de educação de cegos no país. Ela também foi responsável por lutar pelas aberturas de vagas de trabalho para pessoas com deficiência visual.

  1. Êda Luiz

“Dona Êda”, como é conhecida, foi coordenadora pedagógica do Centro de Integração de Jovens e Adultos (Cieja) do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo. Sob sua gestão, a instituição se tornou referência como escola aberta e acolhedora para quem foi excluído de alguma forma, desenvolvendo, assim, um modelo de escola democrática.

A iniciativa virou referência nacional com seu modelo de educação, sendo reconhecida como “Escola de Educação Transformadora para o Século XXI”, em 2017, pela UNESCO – uma das duas únicas escolas no Brasil a receber esse título.

Ela já foi também professora em escola rural e na antiga Fundação Estadual do Bem Estar do Menor (Febem). Já em 2018, aos 70 anos, Êda decidiu se aposentar.

  1. Maria Teresa Mantoan

A pedagoga brasileira dedica-se às áreas de pesquisa, docência e extensão na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ela é defensora do direito incondicional de todos os alunos terem acesso à educação escolar de nível básico e superior de ensino.

Oficial na Ordem Nacional do Mérito Educacional no Grau de Cavaleiro, recebeu esse reconhecimento em razão de sua contribuição à educação no Brasil.

  1. Jaqueline Moll



Jaqueline é professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Possui graduação em Pedagogia pelo Centro de Ensino Superior de Erechim (1986), especialização em Alfabetização pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC RS), especialização em Educação Popular pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), mestrado em Educação pela PUC RS e doutorado em Educação pela UFRGS. Ela também realizou parte dos estudos na Universidade de Barcelona.

Seu campo de trabalho e pesquisa educacional tem ênfase na área de políticas públicas e práticas pedagógicas, dialogando e construindo formas de intervenção nos temas da alfabetização, educação de jovens e adultos, fracasso escolar, pedagogias urbanas e relações entre escola e cidade. Jaqueline também é um dos maiores nomes quando se fala a respeito de Educação Integral e foi responsável pela implementação do programa Mais Educação.

Hoje Jaqueline defende a necessidade de projetos educativos locais, em que escolas sejam co-autoras das políticas educacionais e tragam repertório para lidar com as necessidades das pessoas das comunidades.

  1. Magda Soares

Magda Soares é professora emérita da Faculdade de Educação (FAE) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pesquisadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale), e um dos maiores nomes na área de alfabetização e letramento, com ênfase em ensino-aprendizagem.

Ela também atua há 7 anos como consultora da rede municipal de educação em Lagoa Santa, Minas Gerais, onde desenvolve um trabalho ligado à formação de professores da rede pública.