Alunos de Enfermagem pesquisam saúde mental de profissionais da linha de frente no combate à Covid-19

Outra pesquisa analisa prevalência de síndrome de Burnout entre trabalhadores da área da Enfermagem; levantamentos permitem contato com a realidade da profissão 

 

Dois trabalhos realizados por alunos do curso de graduação de Enfermagem do Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) analisam as consequências da sobrecarga de trabalho que acomete os profissionais da área da Enfermagem. 

Uma das pesquisas pretende identificar a prevalência da síndrome de Burnout, caracterizada por altos níveis de estresse e esgotamento emocional e físico do trabalhador. Já a outra quer mensurar qual o impacto na saúde mental dos profissionais que estão na linha de frente do enfrentamento à Covid-19. 

Para a coleta de dados deste segundo trabalho, os alunos do UniBH disponibilizaram um questionário nas áreas de conveniências de um hospital particular de grande porte em Belo Horizonte. 

O hospital, segundo a pesquisa dos alunos, se preparou para atender os pacientes acometidos pelos vírus destinando uma ala exclusiva para o quadro de síndrome respiratória, disponibilizando dois consultórios com entrada através da parte externa da recepção. Também foram reservados leitos para os pacientes com sintomas gripais com necessidade de internação, e foram contratados novos colaboradores.

O público alvo da pesquisa são enfermeiros, técnicos, acadêmicos, estagiários e auxiliares de enfermagem que permaneceram na linha de frente do atendimento durante o período da pandemia. Ao respondê-los, os profissionais depositaram os formulários em uma urna. O sigilo profissional será respeitado. 

No questionário, além de dados como sexo, idade, cargo e setor que trabalha, tempo de atuação profissional, os participantes tiveram de responder uma avaliação sobre sintomas como medo, ansiedade e depressão. A identificação desse tipo de impacto na saúde mental é medida a partir de uma escala de pontos por meio de instrumentos utilizados pelo Ministério da Saúde.

Esgotamento físico e mental 

Para pesquisar sobre a incidência da síndrome de Burnout, os alunos estão trabalhando com um público mais amplo: profissionais da enfermagem com registro ativo no conselho da categoria. A coleta de dados é feita por formulário on-line, onde consta um termo de consentimento a ser preenchido para validar a participação do profissional. 

Serão 22 questões que identificam as dimensões sobre os sistemas acerca do Burnout, como exaustão emocional, baixa realização pessoal e despersonalização. Os participantes terão de responder a frequência em que sentem de determinadas formas, como “no limite de minhas possibilidades”, “creio que estou trabalhando em demasia”, “preocupa-me o fato de que este trabalho esteja me endurecendo emocionalmente”, “emocionalmente esgotado (a) com o meu trabalho”. As respostas podem variar entre “nunca” ou “diariamente”. 

Para Regina Torres Costa, mestre em Ciências da Saúde, professora do curso de Enfermagem do UniBH e orientadora dos trabalhos, é importante que os estudantes conheçam a realidade da rotina da carreira que escolheram. “Além disso, veio ao encontro do momento em que estamos buscando a aprovação no Senado do piso salarial e carga horária para os profissionais da Enfermagem. As pesquisas auxiliam nesse sentido de mostrar para a sociedade como uma carga horária adequada traz benefícios na qualidade da assistência.”