Aula invertida: saiba como funciona e quais suas vantagens

Aula invertida utiliza hibridez para ressignificar os momentos presenciais, mas exige que alunos acessem a conteúdos prévios

Em uma sala de aula invertida, o professor não é o único que ensina. Nem só os alunos aprendem. O processo de ensino e aprendizagem ocorre no caminho percorrido pelos estudantes para propor resolução de problemas.

Assim como as demais metodologias ativas de ensino, na sala de aula invertida, também chamada de flipped classroom, a ideia do professor inquestionável em seus conhecimentos fica para trás. O docente passa a atuar como um mentor do processo de aprendizagem, onde aluno está no foco central.

“Como o nome diz, o método inverte por completo a lógica de ensino: a ideia é que o aluno aprenda o conteúdo antes de entrar em sala de aula, para que, uma vez nela, ele possa desenvolver de forma ativa, e não mais de forma passiva, o conteúdo aprendido”, resume Tatiana Papa, professora de Pedagogia do UniBH.

“Uma vez em aula, esse conhecimento já adquirido pode ser desenvolvido muito mais facilmente, com questionamentos mais assertivos e debates mais aprofundados, ao contrário do que aconteceria se o conteúdo fosse passado pela primeira vez de forma expositiva, pelo professor”, acrescenta Tatiana.

A origem da aula invertida

O método começou a ser colocado em prática em 2007 pelos professores americanos Jon Bergman e Aaron Sams, que descobriram que a vivência em sala de aula poderia ajudar os alunos a dar continuidade à trilha de aprendizagem, que pode ter início sem necessariamente estarem presentes na sala.

Eles lecionam em uma zona rural do Colorado, nos Estados Unidos, e os alunos começaram a faltar muito. Por isso, começaram a gravar as aulas matutinas para o turno da tarde. A estratégia funcionou tanto que eles passaram a ressignificar o valor do tempo na sala de aula presencial.

Aula invertida e o ensino híbrido

Para que uma aula invertida funcione, é fundamental que o aluno tenha tempo para acessar os conteúdos antes dos encontros presenciais, e é por isso que o ensino híbrido, que aproveita o melhor das aulas presenciais e virtuais, acaba se tornando uma de suas principais ferramentas

Os conteúdos podem ser oferecidos em diversas plataformas e formatos, todos online, permitindo que os estudantes os absorvam respeitando seu ritmo individual. Dessa forma, cada aluno terá mais liberdade para ir em busca do conhecimento, além de fortalecer sua autonomia e transformar a própria maneira de aprender.

“Eu costumo passar uma vídeo-aula, dar um texto, indicar fontes de pesquisa de algum tema, indicar podcasts… São muitas as possibilidades dentro do ensino híbrido, que une o virtual com o físico, principalmente com a pluralidade de conteúdos que a internet oferece. Mas o essencial é que esse ensino seja introduzido antes da aula, respeitando o tempo de assimilação de conhecimento de cada estudante”, diz Tatiana Papa.

Esta é, inclusive, uma das grandes vantagens do método em relação ao formato tradicional de ensino, que oferta aulas com a mesma duração para estudantes que, sabidamente, têm ritmos diferentes de aprendizagem.

Otimização do tempo

Para os professores, o envio prévio de vídeos, blogs, sites, textos e outras ferramentas de pesquisa ajuda a dinamizar as aulas e a enriquecer as discussões dos assuntos dos momentos presenciais. A otimização do tempo durante as aulas também é uma vantagem trazida pelo método, que faz com que o professor consiga ter espaço para outras atividades, como planejar novas aulas e participar de formações, por exemplo. Viu só como todo mundo ganha?

Ao passo que a flipped classroom otimiza o trabalho do professor, ela também o desafia a se reinventar e a dominar as metodologias de ensino que atendam esta nova forma de gerar conhecimento, mais personalizado e atento ao ritmo de aprendizagem de cada aluno.

Aula invertida gera atividades presenciais mais ricas e atrativas

Se é possível aprender também no ambiente online, uma aula presencial precisa ir além, oferecer algo a mais, certo?  O conceito da aula invertida parte dessa premissa e utiliza como tática diversos tipos de atividades ativas presenciais, como estudos de caso e resoluções de problemas.

“Com o aluno já inteirado do assunto, ele pode participar de debates entre pares e em grupos, além de atividades interativas, como um conhecimento já aprofundado”, explica a pedagoga que também é Supervisora do Laboratório Multidisciplinar da Educação do UniBH. “O tempo em sala de aula muito mais atrativo e de melhor qualidade.”

Aula invertida ajuda a formar profissionais com qualidades para liderança no ensino superior

Profissionais formados não podem ser dar ao luxo de somente ter o conhecimento para resolver questões apresentadas a eles: eles devem ser capazes de desenvolver e criar projetos e ideias além dos conceitos aprendidos. E é isso que torna a aula invertida uma ferramenta de estímulo à formação de profissionais responsáveis, empreendedores e autônomos. No futuro, mais aptos a atuarem em posições de liderança.

“Ao propor uma aula invertida, as instituições de ensino superior desenvolvem não só o conhecimento do aluno, mas também sua autonomia para criar soluções por conta própria, fora do que já existe e é aprendido em sala de aula. Sua capacidade de resolução de problemas e de raciocínio lógico torna-se muito mais desenvolvida”, conclui Tatiana Papa.

 

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