Design Thinking na educação: o que é, aplicações e vantagens

Ferramenta de inovação é aplicada em quatro etapas que vai desde a análise do problema até a validação das soluções criadas

 

Na tradução literal, o termo significa “pensamento do design” ou “pensar como designer”. Na prática, design thinking é uma ferramenta de inovação que representa uma nova abordagem de resolver problemas.

 

“O Design thinking, como o nome diz, é uma planificação do pensamento, mas não um pensamento qualquer, e sim a partir de problemas reais, do dia a dia das profissões e da sociedade”, diz Flávia Virgínia, coordenadora do Ânima Lab do UniBH, área de inovação focada no empreendedorismo e inovação.

 

O termo já era utilizado nos Estados Unidos desde a década de 1940, mas foi popularizado pela Ideo, empresa norte-americana de inovação que ficou famosa no Vale do Silício. Ela foi fundada por David Kelley, professor da Universidade de Stanford, e seu colega Tim Brown.

 

O design thinking está ligado ao processo criativo. Na educação, dialoga com o ensino baseado por meio de projetos e resolução de problemas. A metodologia não se aplica somente ao dia a dia de indústrias ou empresas de tecnologia. Ela contribui para o processo de desenvolvimento de novos produtos, serviços e até marcas. Hoje é utilizada por companhias dentro e fora do Brasil que atuam nos mais diversos segmentos.

 

As aplicações do Design Thinking na educação e suas vantagens

 

Se antigamente o ensino universitário se baseava na exposição de ideias em um sentido único, do professor para o aluno, hoje termos como Metodologia Ativa, Aula Invertida e o Design Thinking têm ganhado força como métodos de ensino.  E não é para menos: todos eles propõem ao próprio aluno debater, se desafiar para resolver desafios e criar soluções inovadoras – práticas que serão muito bem vindas no concorrido mundo profissional.

 

“No caso do Design Thinking, que funciona muito bem como uma tática dentro da Metodologia Ativa, a ideia é propor desafios para os próprios alunos estimularem sua capacidade de solucionar problemas, em vez de expor soluções prontas que funcionaram no passado”, pontua Flávia Virgínia.

 

Entre os benefícios práticos do Design Thinking na educação está uma melhora na capacidade dos alunos em sintetizar o aprendizado, comunicar coletivamente com clareza, usar o raciocínio lógico para concepção de soluções e, talvez acima de todas as demais, se colocar no lugar da pessoa que tem um problema. Isso gera empatia e ajuda no desafio de pensar em como resolvê-lo.

 

Estas capacidades são buscadas por empresas na hora de pensar em novos serviços ou produtos, por exemplo, além de ajudar a resolver dores dos clientes.

 

Além disso, o design thinking ajuda a dar a noção de que a vida está em constante movimento. No caso dos estudantes, é importante para ajudá-los a serem protagonistas de sua aprendizagem.

 

Design Thinking como ferramenta para um futuro de várias carreiras

 

O sonho de consumo do profissional brasileiro mudou. Se até pouco tempo atrás o foco era encontrar um emprego estável, com possibilidade de fazer carreira na empresa e, um dia, se aposentar, hoje, atributos como empreendedorismo e criatividade são a prioridade em um mercado em que se troca de trabalho e empresa muito mais do que na geração passada.

 

E onde entra o Design Thinking nisso? ““Se destacam no mercado aqueles que têm maior criatividade para resolver dores comuns da sociedade e de empresas, uma característica ensinada no Design Thinking e que será cada vez mais valorizada, seja para quem quer iniciar um empreendimento do zero, seja para assumir cargos diferentes em outras empresas”, explica Flávia Virgínia.

 

Design Thinking em quatro passos

 

O Design Thinking ajudou a trazer para o centro das discussões a importância da observação das pessoas e da compreensão do entorno, além de dados estatísticos e números. Sua aplicação é baseada em quatro passos principais:

 

  • Entendimento

 

O primeiro é entender e delimitar qual é o problema para o qual se busca solução. Nessa fase vale utilizar pesquisas, entrevistas e fazer experimentações e imersões. Quanto maior o número de informações acerca do problema, melhor. Para buscar respostas eficazes é fundamental entender de forma empática os prejuízos proporcionados por esse problema.

 

  • Ideação

No segundo momento tem de haver um esforço coletivo de propor ideias para resolver o problema apontado. Vale se utilizar da técnica chamada “brainstorming”, quando um grupo se reúne para conversar, debater ideias, sem censura, falando o que vem à cabeça. Ao final são pontuadas as melhores contribuições, suposições e até as dúvidas.

 

  • Prototipação

Na terceira etapa é a vez de encontrar formas de viabilizar soluções por meio da criação de protótipos. É hora de colocar as ideias em prática. Podem ser utilizadas reproduções em papel, fotografias, desenhos, massa de modelar, impressoras 3D ou maquetes que indiquem a aplicação da ideia em proporção real ou por escala.

 

  • Validação

Chegou a hora de testar o protótipo criado na fase anterior. É preciso entender se há algo a ser mudado para funcionar ou melhorar. Os testes ajudam a evitar gastos desnecessários e otimizar o tempo de todos os envolvidos no processo.