Do Intercâmbio às Nanodegrees: como funciona a internacionalização do ensino superior

Iniciativas de internacionalização na graduação vão de intercâmbios com imersões profundas  a módulos internacionais e cursos de curta duração

 

Quando se pensa em internacionalização do estudo, quase sempre a primeira coisa que vem à mente é o intercâmbio acadêmico, exemplo mais famoso oferecido por universidades. No caso do UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte), por exemplo, as parcerias para passar um semestre no exterior se estende de instituições de ensino do Peru e Chile até Portugal e Israel, como a Universidade de Porto e a Technion – Israel Institute of Technology, por exemplo.

Mas existem outras alternativas – afinal, não são todos que tem disponibilidade financeira ou de tempo para passar seis meses ou até um ano em outro país. Módulos internacionais e visitas técnicas em universidades renomadas ou centros de pesquisa e nanodegrees internacionais, cursos em outros idiomas cursados com professores estrangeiros e oferecidos por instituições de ensino superior, fazem parte da ampla vitrine de opções que uma universidade pode oferecer.

“Qualquer iniciativa de internacionalização, seja um amplo intercâmbio ou as objetivas nanodegrees, fazem o aluno desenvolver o que é necessário para o mercado de trabalho hoje: flexibilidade, capacidade de se adaptar mais facilmente ao novo e a empatia acima de tudo, todas elas consideradas soft skills”, analisa Danielle Cristina Santos, diretora de Internacionalização da Ânima Educação, da qual o UniBH faz parte.

“Isso, claro, sem contar o óbvio diferencial no mercado que é ter com um curso internacional no currículo.”

Intercâmbio Acadêmico oferece chance de estudar entre seis meses e um ano no exterior

Das modalidades possíveis de internacionalização no ensino superior, o intercâmbio acadêmico é sem dúvida um dos mais completos. “A lógica é simples: o estudante pode fazer 1 ou 2 semestres em alguma universidade no exterior, que necessariamente precisa ser uma instituição conveniada, retorna para o Brasil e tem a grade internacional validada no UniBH, ganhando inclusive um certificado das disciplinas internacionais cursadas”, resume Danielle Santos.

Isso significa que, além de ter a oportunidade de estudar em uma renomada universidade internacional com professores estrangeiros, e ainda ter uma imersão cultural em outro país por seis meses ou até um ano, você não “perde” o semestre de sua faculdade, já que as parcerias preveem uma validação do período cursado fora do país.

Os convênios entre universidades funcionam com sistema de contrapartida. Isso significa que, além de estudantes brasileiros do UniBH poderem cursar alguns semestres em alguma instituição estrangeira, como a Universidade de Porto, por exemplo – uma das parceiras do UniBH -, estudantes estrangeiros podem ir para Belo Horizonte e estudar com professores e mestres brasileiros da universidade mineira.

UniBH oferece acessibilidade com bolsa integral para intercâmbio acadêmico

Bancar um semestre no exterior e continuar pagando a mensalidade de universidades é um desafio até mesmo para aqueles com melhores condições financeiras. Com isso em mente, instituições de ensino superior passaram a incluir bolsas estudantis, reduzindo de forma significativa ou até completamente o custo mensal pago na graduação durante o período no exterior.

É o caso do UniBH. Os estudantes que participarem de um intercâmbio acadêmico com instituições parceiras estão totalmente isentos das mensalidades, tanto do Centro Universitário de Belo Horizonte quanto da universidade internacional em que estiver estudando. Isso dá maior acessibilidade e acaba funcionando como um estímulo financeiro à internacionalização estudantil, já que os alunos terão de arcar com os custos de moradia e alimentação no exterior. 

Claro que na Europa pode ser mais caro, mas na América Latina existem diversas opções interessantes, onde o custo de vida será próximo ou até mais baixo do que no Brasil. Instituições renomadas de Colômbia, Peru e Chile têm parcerias com o UniBH, e podem ser alternativas para quem não tem os meios de se bancar em países europeus”, aponta Danielle.

Para participar de intercâmbios acadêmicos, são realizados uma série de editais semestralmente, nos quais o aluno passará por um processo seletivo. No UniBH, além do desempenho acadêmico e idioma, entra como critério o período em que o estudante se encontra na graduação, devendo ter de 30% a 80% do curso concluído.

E a Graduação Sanduíche?

A Graduação Sanduíche ganhou fama na época do programa federal Ciência sem Fronteiras, finado em 2017. Embora o nome seja muito usado para intercâmbios acadêmicos em geral,  Danielle Santos explica que trata-se de uma modalidade específica de intercâmbio que inclui uma dupla diplomação – ou seja, você recebe diploma tanto da universidade nacional quanto do instituto de ensino superior internacional onde cursou parte do curso.

Nesta modalidade, o estudante geralmente passa metade do curso em cada instituição – daí o nome sanduíche. Isso faz com que a graduação sanduíche seja mais longa do que os intercâmbios acadêmicos tradicionais, geralmente prevendo um mínimo de dois anos no exterior.

Módulos internacionais, visitas técnicas e cursos de idiomas aparecem como alternativas acessíveis de curta duração

Não tem tempo e nem dinheiro para um intercâmbio acadêmico? A boa notícia é que diversas universidades privadas têm se atentado a isso e criado novas maneiras de internacionalizar o estudo. Isso acontece por meio de programas de curta duração no exterior. No UniBH eles sem dividem em três tipos:

  • Módulos internacionais: São cursos de 1 a 2 semanas no exterior para áreas específicas, feitos em alguma instituição internacional parceira da Ânima Educação. “Os estudantes mesclam aulas com professores renomados internacionais com visitas técnicas, então os destinos são sempre escolhidos pensando no quanto podem oferecer para o aluno”, explica a diretora de Internacionalização da Ânima Educação.

Um exemplo foi o Módulo Internacional de História, Arquitetura e Arte, realizado em Florença no início de 2020. Durante doze dias, estudantes participaram de aulas na Accademia Europe di Firenze, enquanto nos demais horários faziam visitas às dezenas de museus da cidade italiana. De quebra, saíram da Itália com um certificado internacional da instituição.

  • Visitas Técnicas: Este caso é um pouco mais curto e 100% prático. Os estudantes não vão para salas de aula, mas sim para visitas técnicas em locais como grandes companhias de tecnologia, centros de pesquisa renomados, entre outros.

Em 2019, estudantes de Medicina Veterinária puderam conhecer, em uma viagem de nove dias, o Saint Louis Zoo, nos Estados Unidos, local reconhecido pelo manejo, pesquisa e conservação de mais de 650 espécies diferentes, antes de participar de uma palestra na University of Wisconsin-Madison com o Doutor Milo Wiltbank, considerado o “pai” da Inseminação Artificial em Tempo Fixo

  • Curso de Idioma no Exterior: Uma terceira alternativa é o curso de idioma, oferecido durante os períodos de férias da graduação. Nele, estudantes podem estudar inglês nos Estados Unidos ou Canadá; italiano em Florença; espanhol em alguma instituição parceira na Espanha, entre outros.

Nanodegrees internacionais oferecem experiência internacional sem sair do Brasil

Agora, e para quem não tem condições financeiras ou disponibilidade de tempo para ir ao exterior? Como meio de democratizar a internacionalização do estudo, a Ânima Educação conta com as chamadas nanodegrees internacionais, cursos oferecidos em inglês ou espanhol que têm como objetivo trazer aos estudantes temas de relevância internacional.

“E elas tem uma metodologia diferente: não são teóricos, são práticos, mão na massa total. A ideia da nanodegree internacional é que o estudante participe de debates e seminários, tudo em outro idioma, aprofundando o conhecimento sobre assuntos contemporâneos e com alta demanda no mundo atual. A nanodegree internacional também é interdisciplinar, usa conhecimentos de diversas áreas sobre uma questão em comum”, resume Danielle Santos.

A diretora de Internacionalização conta ainda que a ideia é sempre criar nanodegrees com temas considerados “transversais” – ou seja, que tenham relevância para alunos de todas as áreas de conhecimento – e com foco no mercado de trabalho.

Danielle exemplifica com a Nanodegree Internacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade. “Tinha aluno de Medicina Veterinária, focado no animal e no meio ambiente; tinha aluno de Direito, que vai usar o aprendizado nas empresas que buscam ter um selo de sustentabilidade; tinha graduandos da Engenharia Ambiental… Com essa interdisciplinaridade, a ideia é criar debates que aprofundem o conhecimento sobre uma questão central sob pontos de vista de diversas disciplinas.”

Entre os cursos oferecidos no segundo semestre de 2020 pela Ânima estão a Nanodegree Internacional Covid-19: Global Economic Impacts, lecionada em inglês, que debateu as implicações políticas, sociais e econômicas da pandemia da Covid-19 e qual será o “novo normal”; e a Nanodegree Internacional: Social Media para Desarollo Profesional I, com a professora Thais da Cruz dos Santos Venga.