Fab labs: o que são e quais as diferenças em relação aos laboratórios convencionais

Fab labs, também conhecidos como espaços maker, possibilitam que estudantes criem protótipos e façam invenções trazendo o aprendizado muito mais para a prática

Uma educação mais “mão na massa”, baseada em resolução de problemas e ensino por projetos, exige novos espaços de aprendizagem. Nesse cenário, o que vemos são os laboratórios de informática sendo substituídos pelos que se denomina espaços makers.

Mais do que computadores, os espaços makers reúnem itens como impressoras 3D, cortadoras a laser, kits de robótica, entre outras ferramentas tecnológicas. Também possuem mesas e cadeiras dispostas em rodas ou outros formatos que incentivam interação e trabalhos coletivos. Tais ambientes propiciam que os estudantes criem protótipos, façam testes, invenções e aprendam de forma mais prática. Por isso é chamada de educação “mão na massa.”

Os espaços makers, também conhecidos por fab labs, se relacionam com as inovações previstas pela Educação 4.0 e corroboram com as metodologias ativas de ensino que preveem que o aluno esteja no foco da aprendizagem e tenha uma formação crítica e autônoma.

“Acho que podemos determinar como principal objetivo de um espaço maker a possibilidade da prototipação, ou seja, dar as ferramentas para estudantes, professores e a sociedade como um todo tirar um projeto do papel”, explica Flávia Virgínia, coordenadora do DesignLab, o espaço maker do Centro Universitário de Belo Horizonte, o UniBH.
De maneira prática, Flávia explica que a diferença entre um fab lab e um laboratório convencional é o seu objetivo, já que o segundo tem foco didático, com aparatos para checar conhecimentos e teorias ensinadas em sala de aula, enquanto o primeiro funciona como um centro de criatividade e invenção para qualquer tipo de conhecimento, projeto ou protótipo.

Fab Lab à serviço da comunidade local

Não são apenas estudantes e acadêmicos da universidade que usufruem das ferramentas e possibilidades oferecidas pelos fab labs. Referência no Brasil, o espaço maker do UniBH é aberto também para a comunidade local, que pode utilizar o espaço para criar projetos pessoais e profissionais.

“A variedade de projetos que são criados aqui é enorme. Já vi pessoas locais usando nossa área de marcenaria para construir uma gaveta, e um professor construindo uma prótese para pernas com a impressora 3D”, exemplifica Flávia.

Tal liberdade de uso acaba fazendo do Design Lab um local para formar uma nova renda para estudantes, destaca a coordenadora do espaço do UniBH. Segundo ela, diversos alunos de design, por exemplo, fazem protótipos de objetos de decoração no local, com o intuito de vender e gerar uma receita extra.

Servir à comunidade é um dos requisitos para o fab lab do Centro Universitário de Belo Horizonte fazer parte da rede global de espaços maker do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT. Isso significa que conhecimentos produzidos nos outros fab labs do MIT estão disponíveis para quem vai no laboratório maker do UniBH, e vice-versa.
Espaço maker do UniBH produz face shields para proteção de profissionais da saúde

Um exemplo mais claro de como um espaço maker pode servir à sociedade foi a produção das chamadas Face Shields pelo DesignLab, do UniBH, para profissionais da saúde durante a pandemia.

“Para produzir os equipamentos de proteção pessoal, nossa equipe usou a cortadora a laser, que cortou o acrílico, e a impressora 3D, que moldou o material de proteção, tudo no Design Lab. Doamos centenas delas para equipes médicas que lutaram contra o coronavírus”, destaca Flávia Virgínia.

A relação dos Espaços Maker com Educação 4.0, Metodologia Ativa e Competências Socioemocionais

Os espaços makers se relacionam com as inovações previstas pela Educação 4.0 (leia mais aqui), aliando inovações tecnológicas ao ensino, e corroboram com as metodologias ativas, que preveem que o aluno esteja no foco da aprendizagem e tenha uma formação crítica e autônoma – afinal, o espaço funciona exatamente para que alunos se desafiem a criar projetos com conhecimentos técnicos aprendidos durante a graduação.
Uma infraestrutura com este formato ainda colabora com a ressignificação dos encontros presenciais, que passam a exigir mais valor agregado, já que a tecnologia permite que grande parte das atividades sejam realizadas no formato online.

Ricardo Cançado, vice-presidente de operações da Ânima Educação, ressalta que o trabalho “hands on” possíveis nesses espaços makers também permitem desenvolver competências socioemocionais fundamentais para a formação do cidadão.

“Ao trabalhar o ‘fazer’ e o ‘pensar sobre o fazer’ o aluno pratica o trabalho em grupo, a interação com a diversidade, o poder da síntese e sua capacidade de comunicação. O trabalho ‘hands on’ ajuda a desenvolver habilidades cognitivas dos alunos que vão ser cada vez mais importantes”, afirma Cançado, ao reforçar que o professor segue tendo papel fundamental na mentoria e curadoria do ensino, inclusive, dentro desses espaços.

Ânima Lab acopla coworking e permite inovação

O Ânima Lab nasceu em 2015 para atender a esta tendência. Embora muitas vezes os espaços makers estejam relacionados ao desenvolvimento de projetos ligados às disciplinas de STEM (sigla que agrupa ciência, tecnologia, engenharia e matemática), na Ânima eles são abertos para que todo estudante possa colocar em prática suas ideias inovadoras.

“São laboratórios com tecnologia de ponta e equipamentos como robôs, arduinos, impressoras 3D, plotter gigantes. Qualquer aluno pode ir lá e fazer um projeto de inovação”, explica Rafael Ávila, diretor de inovação da Ânima Educação.

Os Ânima Labs ainda funcionam acoplados a coworkings e oferecem capacitações em empreendedorismo. Outra vertente do trabalho deles é o Ânima Nest, um programa de pré-aceleração de startups que transformam ideias em negócios em potencial. Há também trabalhos focados no empreendedorismo social.

Para Daniel Castanho, presidente do conselho e um dos fundadores da Ânima Educação, a universidade precisa ser um espaço de inovação e vai precisar desenhar seus ambientes. “É necessário haver um lugar para que o aluno possa prototipar, trabalhar em grupo, errar, aprender com o erro, se desenvolver e receber feedback. Mas tem de ser tudo no coletivo, com mesas redondas, nada de carteira enfileirada, isso já foi.”