Liga de inventores do UniBH cria brinquedos inclusivos e distribui em entidades beneficentes

Alunos desenvolveram jogos que contribuem para o desenvolvimento do raciocínio, concentração e coordenação motora das crianças

 

Uma liga de inventores formada por 30 alunos de cursos de diferentes áreas como Engenharia, Saúde e Comunicação do Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) desenvolveu uma série de brinquedos educativos, usando linguagens como Libras e braile, para crianças com algum tipo de deficiência, problemas cognitivos ou dificuldade na aprendizagem. 

Os itens foram doados para três instituições beneficentes mineiras: a Casa de Acolhimento de Crianças em Belo Horizonte; a APAE de Sabará; e o Instituto Educacional Ebenézer de Betim. 

O trabalho é resultado de um projeto de extensão coordenado pelos professores Vinnicius Dordenoni Pizzol e Flávio Henrique Batista de Souza.

Engenheiro industrial madeireiro, Pizzol conta que o objetivo da liga é o de criar jogos e interfaces para facilitar a comunicação para todos os alunos da rede pública de ensino, sejam eles com deficiência ou qualquer tipo de dificuldade.  

A primeira proposta do trabalho foi a de criar um site e uma revista com palavras cruzadas em Libras, a Linguagem Brasileira de Sinais. A publicação reúne 30 atividades diferentes e foi disponibilizada nas versões impressa e digital (https://ligainventores.000webhostapp.com/index.html). 

Outro desdobramento da extensão veio a partir de uma ideia da integrante do grupo que quis materializar as atividades inclusivas com a criação de jogos educativos que auxiliassem a aprendizagem de crianças com déficit de atenção, dificuldade cognitiva ou algum tipo de deficiência. 

Dessa forma, os alunos do UniBH colocaram a mão na massa e surgiram quebra-cabeças, jogos de encaixe, memória, dominó, campo minado, entre outros. Os brinquedos ajudam a desenvolver habilidades como raciocínio, concentração e coordenação motora dos jogadores.  

Os jogos foram projetados em um software e depois prototipados no Design Lab do UniBH com EVA, itens de MDF e impressora a laser. Cada uma das instituições beneficiadas recebeu um kit com dez jogos cada. 

‘Intuito da extensão é sentir parte da sociedade’

O professor Pizzol afirma que as entidades ficaram muito gratas com as doações e os alunos se emocionaram ao ver imagens das crianças brincando com os itens que eles criaram.

“Eles perceberam que podem formar equipes, participar de atividades que não estejam totalmente ligadas às áreas em que atuam e, ainda assim, contribuir muito para a sociedade. Perceberam que fizeram algo bom, e o intuito da extensão é justamente esse, o de o indivíduo se sentir parte da sociedade e contribuir com ela como um todo”, diz o professor.

Para o docente, que estava pessoalmente acostumado a atuar em projetos ligados à iniciação científica, e “trabalhava com materiais e não pessoas”, o projeto trouxe muito amadurecimento. “Tinha um grupo de alunos de cursos muito diferentes, como profissional evolui muito, aprendi a lidar com todo tipo de estudante. Foi gratificante ver os produtos que geramos, foi enriquecedor como profissional.”

A liga dos inventores continua neste semestre com o desenvolvimento de novos jogos inclusivos. O professor reforça que pretende trazer à tona aquelas atividades que ficaram esquecidas no passado e que podem contribuir com a aprendizagem e coordenação motora de crianças.