O que o filme Gravidade pode nos ensinar sobre o espaço?

Imagens deslumbrantes, 3D impecável, elenco oscarizado (Sandra Bullock, no papel da cientista Ryan Stone, e George Clooney, como o comandante Matt Kowalski) e um drama emocionante que aborda, entre tantas questões, a luta pela sobrevivência e pela superação dos nossos entraves.

Todos esses ingredientes fizeram de “Gravidade” (2013) um dos blockbusters mais bem-sucedidos dos últimos anos. Não foi à toa que o filme conquistou sete estatuetas do Oscar, incluindo melhor diretor para Alfonso Cuarón e efeitos especiais, além de arrecadar R$ 122 milhões só no fim de semana de estreia nos Estados Unidos.

O que, talvez, você ainda não saiba é que muitos dos acontecimentos que estão no filme costumam cair nas provas de vestibular, do Enem e até mesmo em concursos públicos, por exemplo. Volta e meia, os exames apresentam perguntas do tipo: “Como calcular a velocidade dos destroços na atmosfera?”, “Quais os efeitos da falta de gravidade?”, “Qual a função da nossa atmosfera e o que acontece com o organismo quando falta oxigênio?”. Assistir a um filme como Gravidade, além de ser bastante prazeroso, ajuda muito mais na hora da prova que a simples decoreba de fórmulas.

Bateu a curiosidade? Confira agora alguns ensinamentos bem legais que o filme Gravidade nos traz sobre o espaço.

O enredo de Gravidade poderia ser real ou não?

No longa, Ryan Stone, deprimida pela perda da filha, assume a primeira missão no espaço e junto com uma pequena equipe liderada por Matt Kowalski, tenta consertar um defeito no telescópio Hubble.

No meio da missão, os astronautas são atingidos por destroços de um míssil russo. Dois especialistas da equipe morrem na hora e os personagens de Bullock e Clooney ficam à deriva, com a nave destruída e sem qualquer comunicação com a Terra. Quando o oxigênio acaba, Kowalski desiste de chegar à Estação Especial Internacional e Ryan tem que conseguir sobreviver sozinha em um ambiente hostil e totalmente desconhecido. No meio de tudo isso, ela ainda tem que lidar com incêndios na EEI, falta de oxigênio e a inexperiência no espaço.

No fim do filme, impressionado pelo enredo e por todos os obstáculos que a personagem de Sandra Bullock teve que passar, você se pergunta: “Será que essa história poderia ser real?” A resposta é SIM para a maior parte do que acontece ali.

Precisão de movimentos

Um dos aspectos que mais impressionou os cientistas e astrônomos foi a precisão dos movimentos e dos rodopios dos personagens, principalmente quando são atingidos pelos destroços do míssil.

Desligados da aeronave destruída, eles não têm nenhum ponto de apoio, tampouco gravidade para se firmarem. E, cá entre nós, é uma verdadeira agonia assistir Ryan dando piruetas desconexas e se afastando cada vez mais da aeronave em direção ao espaço, ainda mais com o recurso do 3D.

Relação tempo e espaço

O filme também acertou em um detalhe que pouca gente deve conhecer: os detritos realmente demoram 90 minutos para darem a volta no planeta. Esse foi exatamente o tempo que Kowalski cronometrou para que os astronautas chegassem à EEI e se salvassem da morte certa.

Nesse ponto, outro aspecto importante e acertado é que a velocidade que os objetos podem ter ao redor da atmosfera terrestre pode ser bastante alta, atingindo até 12 quilômetros por segundo! Não foi à toa que a espaçonave que os levou ao Hubble foi completamente destruída e que até o equipamento que os iria salvar foi comprometido.

Localização assertiva

Por fim, muita gente deve ter ficado sem entender quando Ryan diz que o GPS não está funcionando, quando Kowalski pergunta a ela qual a sua posição, depois de serem atingidos pelos destroços.

Será que no espaço é possível acessar o GPS? Sim, se o astronauta estiver abaixo da rota dos satélites GPS no espaço. Eles estão a cerca de 20 mil km da Terra e o Hubble, apenas a 350 km.

Inconsistências

Por outro lado, Gravidade também apresenta várias inconsistências, vamos a elas:  

  • O Hubble, a EEI e a Estação Chinesa, que Ryan usa para finalmente voltar para o planeta, nunca poderiam estar na mesma órbita, com a finalidade de evitar choques. Sendo assim, na vida real, seria impossível a personagem pular de um equipamento para outro.

  • Cientistas e astronautas que fizeram questão de dar seus pitacos sobre o filme disseram ser impossível a locomoção por uma distância tão grande por meio das mochilas propulsoras, pois jamais haveria combustível suficiente.

  • Tanto o short quanto a camiseta que Sandra Bullock usa nas cenas dentro da cápsula não são usadas pelos astronautas. Isso porque, no espaço, as temperaturas variam bruscamente e é preciso usar roupas térmicas por baixo daquele macacão (que os deixa parecidos com o “abominável homem das neves”).

No entanto, os críticos de cinema entenderam que os equívocos são conscientes e necessários para dar ritmo e sequência à história.

Entre erros e acertos, Gravidade além de divertir, acaba despertando a curiosidade do espectador e o interesse de se estudar as ciências correlacionadas, como Física, Astronomia e Matemática. Entender como a natureza funciona para além da atmosfera terrestre é um dos principais enigmas dos cientistas em toda a história, e conquistar o espaço é o desejo da humanidade por séculos.

Filmes semelhantes

Outros filmes com temática semelhante e com recursos visuais igualmente espetaculares são “Perdido em Marte” (2015) , com Matt Damon e “Interestelar” (2014), com Matthew McConaughey. O curioso é que os dois filmes chegam a “dialogar” em determinados momentos, até porque compartilham alguns dos atores principais como Damon e Jessica Chastain.

No roteiro de ambos, os personagens buscam soluções para a vida fora da Terra, e o desenrolar da história chega a dar até um nó na cabeça ao tocar no confuso tema da relação espaço-tempo. Definitivamente, são outras aulas práticas e divertidas sobre ciência — e, sobretudo, de cinema da melhor qualidade!

E então? Tá a fim de ler mais e mais artigos bacanas sobre como o entretenimento pode te ajudar a estudar? Então, confira os 7 games para quem quer aprender História brincando e o 7 filmes para quem quer entender melhor a área da Psicologia. Depois, não se esqueça de deixar sua opinião para a gente, beleza?

Imagem: Warner Bros. Fonte: http://imdb.to/1jAB1Nx