Diversidade como foco da 1ª Semana Incluir no UniBH

Por Fernanda Freitas, Guilherme Drager e Rita Luiza – estagiários CACAU

 

Entre os dias 06 e 08 de maio, o UniBH realizou a Semana Incluir, trazendo como pauta questões de acessibilidade, luta contra a LGBTfobia, luta antimanicomial e questões étnico-raciais. O centro universitário recebeu especialistas e ativistas atuantes em cada uma das áreas, promoveu rodas de conversa, mostra de curtas e apresentações artísticas.

 

Na segunda-feira, dia 06, o evento abordou a luta antimanicomial, com sessões comentadas do curta “Sufoco da Vida”. Durante a manhã, os convidados Diego Fluxo, educador no Centro de Convivência Arthur Bispo do Rosário, e Ana Gusmão, jornalista, atriz, e produtora do espetáculo Nos Porões da Loucura, conduziram o bate-papo com a turma de psicologia. Diego acredita que as oficinas e o contato com diferentes campos artísticos atuam como forma terapêutica, mesmo que indiretamente, ajudando também no desenvolvimento social e pessoal dos usuários de serviços do centro de convivência onde atua. Ana ressaltou a importância da discussão do tema, da empatia e quebra de estereótipos, afirmando que o preconceito existe pelo desconhecimento.

 

Ana Gusmão fala sobre a Luta Antimanicomial. Foto: Guilherme Drager

 

À noite, a performance “Sapos e Afogados”, de EdMundo, que ficou internado em hospitais psiquiátricos durante 41 anos, abriu a sessão comentada pelas convidadas Marta Elizabete de Souza, psicóloga militante da luta antimanicomial e mestre em saúde pública pela UFMG, e a atriz de Porões da Loucura, Meibe Rodrigues.

 

Ainda no primeiro dia, na Roda de Conversa Acessibilidade, a ativista e historiadora Flaviana Menezes, deficiente física desde os 6 anos, foi protagonista da discussão. Ela contou sobre os diversos desafios presentes no cotidiano das pessoas com deficiência que, muitas vezes, são privadas de direitos básicos como o de ir e vir. Ressaltou que barreiras sociais e físicas dificultam ainda mais a inserção e a garantia de um lugar igualitário na sociedade. Agradeceu pela oportunidade de participar do debate e afirmou a importância de momentos como esse, que trazem vozes geralmente silenciadas e quase invisíveis na sociedade. “Essa é uma oportunidade da gente ser gente, da gente estar gente, e ser presente na vida de alguém. E transformar”, finaliza Flaviana.

 

Dú Pente na palestra “Questões Étnico-Raciais”. Foto: Rita Luiza

 

Já no dia 07, o bate-papo com o ativista Dú Pente trouxe uma abordagem histórica e política sobre o racismo. Dú afirmou que momentos como esse são importantes para trabalhar habilidades humanas de compreensão e escuta dos futuros profissionais. “Não basta um médico saber fazer cirurgia, ele precisa compreender sobre a vivência de cada corpo e entender que as questões sociais formatam vários significados. O que é ser negro no Brasil, o que é ser indígena, o que é ser mulher trans, o que é ser um jovem negro e o que é ser periférico”, conclui.

 

No último dia do evento o debate foi voltado para a luta contra a LGBTQIA+fobia e a diversidade sexual e de gênero. Houve a sessão comentada do curta metragem Ingrid, produzido por Jacson Dias com edição de Maick Hannder. Narrado pela própria Ingrid, os relatos sobre sua trajetória se discorrem acompanhados de cenas em preto e branco marcadas, principalmente, pelas curvas da protagonista. Os comentários ficaram por conta da “artivista” Juhlia Santos, da drag queen Nickary Ayker, e do ator Lui Rodrigues.

 

Giovanna Heliodora e Duda Salabert no bate papo sobre LGBTQIA+fobia.  Foto: Guilherme Drager

 

Na conversa sobre diversidade sexual e de gênero, Duda Salabert e Giovanna Heliodoro chamaram a atenção para a violência e descaso enfrentados pelos transexuais no país. Salabert, inclusive, ressalta a falta de pessoas trans no ambiente acadêmico, representando apenas 0,003%. “O papel da universidade é um papel social, a universidade é um universo de diversidades. Então, se uma parte dessa diversidade não está presente nesse espaço, e essa parte é a parte transexual, os alunos formam faltando um pilar importante para ter uma visão crítica sobre a própria sociedade”, defende Duda.

 

Inscreva-se